segunda-feira, maio 07, 2007

SER E SENTIR-ME

Pensemos um pouco sobre as diferenças entre “ser” e “sentir-me”.

“Ser” é incondicional. Nós somos o quê? Nós somos quem? Onde somos? Quando somos?

“Sentir” é condicional. Sentimo-nos de uma determinada maneira dependendo do ambiente que nos rodeia.

Eu sou Feliz. Ou Eu sou Felicidade. Eu, ao dizer que sou feliz, não me obriga a sentir-me sempre feliz. É aí que reside o chamado “livre arbítrio”. A frase “Eu sou ...” é muito poderosa, mais que do que “Eu quero ser ...”. Eu chamo-lhe o “Efeito Pescada”, que antes de ser já o era.

Quem eu sou, é um conjunto de escolhas possíveis que eu faço de/para mim, de modo a realizar experiência neste mundo do relativo, é aqui que eu tenho a possibilidade de experimentar, não é no mundo do absoluto que isso acontece, no absoluto não existe experiência, apenas conhecimento total.

O que eu sinto ou sinto-me, depende das experiências do passado, pode parecer negativo estar dependente do antes, mas o que se passa é que nós somos dotados de mente, e a mente recorre à memória do cérebro, para funcionar como mecanismo de auto-preservação do nosso corpo, visto que a mente assume que nós somos apenas corpo. Mas é através deste mecanismo de preservação da nossa integridade física que conseguimos sentir a dualidade, os opostos desta realidade relativa que estamos a viver agora, dando-nos a impressão de existir um passado e um futuro.

Devemo-nos sentir felizes ou infelizes, e todas as outras dualidades e opostos, mas sempre sem perder de vista as escolhas que fazemos relativamente àquilo que dizemos Ser.

Vale a pena pensar nisto.

2 comentários:

Desassossego disse...

Eu Sou...
Tu És...
Nós Somos...
Aqui e Agora...

Beijo doce.

Amaral disse...

Estou de acordo contigo! E é muito difícil afirmarmos isso no nosso dia-a-dia. Porquê? Porque a relatividade obriga a isso: a vermos à superfície e a esquecermos o que está dentro.
Na verdade, Aquilo Que Sou é a parte genuína, a autêntica, a divina!
A parte mental é o acumular dos conhecimentos externos que o meio ambiente proporciona.
Acho que é assim que as coisas funcionam. Perante a dualidade deste mundo, só com o lado físico podemos experienciar tudo aquilo que conhecemos apenas como conceitos...
Não esqueçamos que os sentimentos são a linguagem da alma, e António Damásio teve esse vislumbre, quando tentou focalizá-los fisicamente nas suas obras mais recentes...