segunda-feira, junho 23, 2008

Mestre e Seguidores

Dizem-nos “Jesus é o mestre”, “Segue Jesus”, “Jesus salva”, ”Jesus é Deus feito homem”.

Interessante, estão sempre a apelar-nos para que sigamos Jesus, mas não nos dizem quem Jesus seguiu, quem foram os mestres de Jesus, parece que Jesus intuiu tudo o que disse, sozinho e sem influência de ninguém, pura inspiração divina.
Está provado, hoje em dia, que Jesus foi educado pela comunidade essénia, e que muito do que se diz original de Jesus, não é assim tão original, afinal Jesus foi um homem influenciado pela sabedoria e ritos dessa comunidade de homens eremitas recolhidos nas grutas das montanhas, afastados das facções que governavam e se governavam dos sacrifícios que se praticavam no templo de Jerusalém, por isto Jesus sempre revelou uma grande repulsa pelo que se fazia no templo. Afinal a “inspiração divina” de Jesus foi mais inspiração humana, o que torna Jesus original (assim como a todos nós) foi a maneira como viveu a sabedoria, neste caso essénia, soube levá-la até às últimas consequências.

Jesus viveu a situação do ditado popular “Em terra de cegos, quem tem um olho é rei”, e assim foi, pois toda a prática religiosa que se fazia em Jerusalém cegava as pessoas que lá iam prestar culto, através de sacrifícios de animais, pelos quais se extorquia o pouco dinheiro que as pessoas tinham para viver. Pela prática da ascese com os essénios, Jesus criou para si uma missão, não totalmente delineada, mas com umas linhas mestras, foi com o encontro habitual consigo mesmo através de exercícios de meditação e interiorização, ele se reconhece em relação ao Tudo Em Todos, seu filho, uma relação filial a Deus, este é o verdadeiro motor da missão de Jesus, o anunciar a todos/todas que eles/elas são filhos/filhas de Deus assim como ele se sentiu, e que não há maior nem menor na comunidade humana, que Deus não está longe nem separado de nós mas está sempre connosco.

A mensagem de Jesus não foi entendida, pois era boa demais para ser verdade, as pessoas não conseguiram e continuam a não conseguir, acreditar nelas próprias, por isso não imaginavam e continuam a não imaginar, que tinham/têm uma relação interior com Deus, assim Jesus decide que, se as pessoas não acreditam nelas próprias pelo menos irão acreditar nele, e começou a dizer que ele era o filho do homem e o filho de Deus, não confundir “Filho Único de Deus”, pois isto ele nunca disse, esta frase foi uma invenção quando quiseram criar a chamada “santíssima trindade”, como se Deus não pudesse ter outros filhos em igual nível como o de Jesus.

4 comentários:

Paulo Costa disse...

Caro Luís,

Consulte estes versículos na sua Bíblia e tire as suas próprias conclusões:

«Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo.» (João 8,28)

«Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo.« (João 7,16-17)

«Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» (João 3,16)

«Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigénito ao mundo, para que por meio dele vivamos.» (I João 4,9)

«Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigénito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.» (João 1,18)

Abraço fraterno.

Ana Ramalho disse...

Sem dúvida que é necessário termo uma visão holística da Bíblia para compreender quem foi Cristo.

É interessante vermos, no seu post, que Jesus foi um homem do seu tempo. o relato dos Evangelhos demonstra a sua profunda humanidade, assim como a sua divindade. Um Deus próximo de nós, como revelação máxima divina... Incompreensível? sim... mas, como alguém disse, se Jesus não fosse impossível de compreender na sua totalidade, não seria Jesus. por outro lado, ele é Deus connosco...

Bons versos bíblicos... mas recomendo uma leitura sincera e aberta dos 4 evangelistas.

Ao dispor,

Ana Ramalho

Paulo Costa disse...

Concordo plenamente que é preciso um conhecimento e uma compreensão da Bíblia no seu todo, para tentarmos compreender Jesus. Claro que a nossa razão e o nosso entendimento têm limites. Por isso, é impossível compreender Jesus na sua totalidade. Hoje, li estas palavras de Anselm Grun:"...continua a existir sempre o mistério. E existe sempre a ideia de que, em última análise, não o entendemos. Na minha opinião, é uma boa teologia que tem conhecimento deste mistério e não diz simplesmente: «Jesus não era como...» Todas estas frases que sabem exactamente aquilo que é, não fazem sentido. A teologia é a tentativa de revelar o mistério. Quando descrevemos Jesus como verdadeiro ser humano e como verdadeiro Deus, isso é uma revelação do mistério, para que deixemos de determinar Jesus de acordo com as nossas bitolas e de o confirmar através das nossas projecções."

Abraço fraterno em Cristo Jesus.

cristina Flores disse...

JESUS O MESTRE, ainda que se passaram milenios, mas seus ensinamentos jamais, estao aqui e agora, e em dimensao após o tempo do nosso Sol;é imprescindivel que o sigamos no ensinamento ....AMEMO-NOS